O
filme O Poço, de produção espanhola, traz o gênero suspense com terror,
mostrando a estória de Goreng (Iván Massagué) que acorda em uma cela de número 48 tendo
como companheiro de detenção Trimagasi (Zorion Eguileor). A partir de então a personagem, que
recém chegara na prisão vertical conhecida como “O Poço” tem o conhecimento que
uma plataforma desce diariamente com comida vinda do primeiro andar e que a
cada andar os alimentos estão em menor quantidade fazendo com que tal fator
seja determinante para que os últimos andares do local não receba a quantidade,
ou nenhuma quantidade, para alimentar as demais pessoas abaixo. Com raciocínio
humanitário, Goreng tenta convencer os andares acima e abaixo dele a consumirem
somente o necessário e fazerem porções razoáveis de alimento com o intuito de
fazer com que a plataforma contenha alimentação para saciar a fome de todos os
aprisionados até o andar mais abaixo daquela instituição de detenção, a qual
ele desconhece quantos andares tem ao total.
De
início acreditei que pudesse ser um filme de produção baixa que ia ser
cansativo e sem nenhum objetivo racional de sua existência, ainda bem que “calaram
minha voz” e temos uma interessante e envolvente estória que não só nos remete
a uma obra ficcional de sustos desnecessários e suspense sem conceito algum,
muito pelo contrário, esta produção nos mostra que o terror da sociedade é sim
a política que norteia desde o início de sua formação e organização.
O suspense não é para raciocínio habitual de “Quem matou fulano?” e sim de “Como
um filme destes pode terminar e como isso pode vir a contribuir para o raciocínio
logico de mundo para a vida real?”. Curti o enredo que nos faz refletir sobre
como o Capitalismo proporciona o ser humano a ser individualista com o conceito
de tempo presente e não de visão a curto e longo prazo sobre as situações que
ocorrem em sua vida.
A
fome é uma ameaça que assombra a nossa humanidade, sendo retratada até em uma
forma física de cavaleiro no livro do Apocalipse, na Bíblia, retratada como
algo que tira a sua sanidade fazendo que extintos primitivos sejam resgatados
pela mente humana retratando ao indivíduo fazer o que for necessário, mesmo que
de forma irracional, para saciar sua principal necessidade e assim poder manter
seu corpo vivo. Esta situação é algo que simboliza também o nível de poder que
um determinado e privilegiado grupo pode vir a ter na tão conhecida pirâmide social,
utilizada como símbolo de organização que mostra as pessoas mais privilegiadas
em cima e as menos privilegiadas embaixo, sabendo que a ponta sendo menor tem
uma quantidade desigual de pessoas abastardas enquanto a sua base, que é bem
maior, tem uma quantidade muito maior de pessoas em situação de miséria ou
extrema miséria. O alimento, vindo do topo, tem toda a sua qualidade higiênica e
de embelezamento gastronômico (seja visual como de sabor) intacta que é
consumida, de forma exagerada, pela elite que sacia com o necessário e se altera
com o exagero desnecessário, fazendo com que nos andares abaixo na pirâmide social
cheguem de restos à migalhas, finalizando com tudo antes mesmo que chegasse na
maior população que está desfavorecida de reconhecimento (seja de forma programada ou de falta de conhecimento da elite do topo).
Com
isso, a obra trabalha muito bem em seu desenvolvimento a batalha diária dos
poucos humanitários do filme que representam as poucas pessoas do mundo que
sabem o que há acima de si e que ao ver o consumo passar pela sua camada vertical
não hesita em querer lutar contra o sistema tentando ordenar a racionalização
alimentícia para que todas as alas tenham o mesmo acesso aos recursos acima,
para que tenhamos a consciência que a igualdade social não está em um conceito
distorcido de meritocracia e sim por uma união gradual de processos que
contribuam no consumo racional de necessidades que sejam partilhadas,
igualmente, com todas as pessoas que compõem aquele complexo. Quando os
recursos básicos essenciais para a melhor condição de vivência do corpo humano
não são distribuídos igualmente para todos, os instintos mais selvagens podem
retornar a mente humana lhe causando a ausência da sanidade e lhe colocando a
beira das mais cruéis barbáries da loucura.
O
filme O Poço (El Hoyo) é produzido na Espanha, dirigido pelo diretor Galder
Gaztelu-Urrutia. Produzido por Carlos Juárez com roteiro de David Desola e Pedro
Rivero. Estrelando Iván Massagué, Antonia San Juan, Zorion Eguileor, Emilio
Buale e Alexandra Masangkay.
Jéferson
Cristian
JC
Heróis


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